Jornal de Arganil
       
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Directora: Maria da Conceição Oliveira  -  Semanário da região
Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010

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MIGUEL BOIEIRO FALA DE...

Alfazema - A alfazema é talvez, a nível mundial, a mais apreciada das plantas aromáticas, tendo uma utilização intensíssima em perfumaria, aromaterapia e cosmética.

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Amável e honroso convite levou-me ao Hotel Convento do Espinheiro (Évora) para conversar sobre plantas selvagens utilizáveis na alimentação. Quer pela curiosidade suscitada pelo tema, quer pelo vivo entusiasmo dos participantes activistas do movimento “Slow Food”, dirigidos pelo incansável Eng. Victor Lamberto, quer ainda pela magnificência de um local pleno de História, cultura e bom gosto, esta iniciativa constituiu um momento inolvidável.

Por sugestão do Eng. Lamberto colhi algumas espécies frescas para estarem patentes durante a palestra a fim de melhor ajudarem os presentes na sua identificação: almeirões, crisântemos coroados, beldroegas, bredos, labaças, salicórnias, saramagos, capuchinhas, consoldas, hortelãs-pimentas, borragens, aipos, etc.

Entre os participantes, realço a presença, sempre estimulante, da Dr.ª Maria Manuel Valagão, ilustre investigadora de etnobotânica, portadora de um presente muito especial: três raízes de escorcioneira, planta outrora usada na região eborense na confecção de uma iguaria gastronómica – a raiz de escorcioneira cristalizada, agora em fase de recuperação pelo convivium Alentejo do “Slow Food”.

Ao chegar ao sumptuoso hotel de cinco estrelas, situado numa suave colina à saída de Évora, logo fiquei inebriado com o aroma que brotava dos bem cuidados canteiros de alfazemas que ornavam o caminho para a recepção. Estavam em plena floração e proporcionavam uma sensação de conforto e beleza indescritíveis. Gabando a penetrante fragrância, fui corrigido pelo jovem empregado que nos veio receber: «não são alfazemas, são lavandas!». De imediato esclareci que os nomes correspondem à mesmíssima planta, só que um provém do árabe e outro do latim.

Na verdade, há muitas espécies desta apreciada labiada, sendo as mais significativas a Lavandula angustifolia (que se encontra no jardim do hotel), a Lavandula latifolia (de folhas maiores) e a Lavandula stoechas (rosmaninho). Na Provence cultivam principalmente a Lavandula intermedia ou lavandin que é um híbrido das duas primeiras espécies, pelo maior rendimento que proporciona na extracção do respectivo óleo essencial.

A alfazema é talvez, a nível mundial, a mais apreciada das plantas aromáticas, tendo uma utilização intensíssima em perfumaria, aromaterapia e cosmética. Cresce principalmente nas regiões quentes, sendo o rosmaninho, a espécie espontânea em Portugal. As flores são azuis/lilazes e as folhas verdes acinzentadas, alongadas e finas. Possui, em diferentes proporções conforme as espécies, óleos voláteis, cumarina, cineol, linalol, eucaliptol, cânfora, taninos, flavonóides, etc. É anti-espasmódica, anti-séptica, carminativa, estimulante, diurética, cicatrizante, sudorífera, insecticida, desodorizante, anti-reumática, descongestionante, …

Serve para quase tudo: dores de cabeça, gota, nervosismo, ventosidades, más digestões, acne, bronquite, insónia, males do fígado, picadas de insectos, queimaduras solares, congestão linfática, parasiticida capilar, problemas menstruais, nevralgias, …

Utilizam-se as folhas, as flores, os caules e o óleo essencial, das mais variadas formas: infusões, decocções, tinturas, cataplasmas, compressas, folhas secas pulverizadas, fumigações, massagens. Contudo, não devemos abusar do “chá” por haver incompatibilidades com as substâncias iodadas e os sais de ferro.

Culinariamente podem usar-se as folhas e inflorescências para aromatizar saladas, guisados, doces de frutas e gelatinas. São afamados os azeites e os vinagres de alfazema, sobretudo em Itália e na França.

   

Por: Jornal de Arganil - Miguel Boieiro


2009-07-31    2341 Leituras

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  Comentários (1 activos)
Colocado em: 2010-06-28
gosto muito da alfazema pelo seu aroma essencialmente, mas também pela sua beleza quando em conjunto forma um manto de cor na natureza.
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